O Signo Oculto – Primeiro Capítulo

Capítulo primeiro

A CAIXA DA MORTE

PARA O JOVEM CAMUNDO desenhar pessoas desconhecidas, não era em si uma falta de discrição, e nem um passatempo. Mas uma necessidade.

Todos passavam pelas folhas do menino com a mesma velocidade com que encontramos desconhecidos numa multidão, ou, no caso dos desenhos, uma sucessão de pessoas em perigo, prestes a desafiar a própria morte.

Foi assim quando rabiscou o personagem curioso que abre a nossa história: o Sr. Arnaldo da Fonseca. Um cidadão comum, de S.Paulo, Brás, também conhecido por sua predileção por bombons de chocolate.

Quando o menino o desenhou pela primeira vez, desconfiou que devorasse caixas e mais caixas destas guloseimas recheadas, e que não se importasse se, de quando em vez, fosse obrigado a prestar contas com a própria saúde. Pois, depois de parar em um ambulatório, o seu médico, o Dr. Arruda, o proibiu sequer de chegar perto de bombons de chocolate.

Como o Sr. Fonseca era um mensageiro postal (e isso Camundo descobriu ao vê-lo constantemente vestindo jaqueta, calças de brim e chapéu grande tricórnio), resignou-se da decisão. Afinal, vivia a transitar em diferentes partes de S.Paulo e Rio, levando correspondências secretas aos figurões que ali preferiam ter sua identidade preservada, e perder um emprego como aquele… Ah, era o fim da picada!

Apesar de tudo, e isso Camundo viria a saber em outro desenho, não deixou de, no início de junho de 1.924, aceitar uma última caixa de bombons. Uma destas latas de Neugebauer dado com admirável gosto por um cliente de sotaque francês, que o escolheu para enviar uma importante correspondência em Curitiba.

Camundo logo soube se tratar de sua cidade natal ao desenhar o Sr. Fonseca com um bilhete da RVPSC. Ora, era a primeira vez que o mensageiro ia para tão longe, atravessando os desfiladeiros da Serra do Mar, e frente à importância dada às suas qualidades de mensageiro, não foi capaz de recusar o presente.

Ao chegar ao planalto, no entanto, o desenho se complicou. O mensageiro parecia tomado por um suadouro implacável, e Camundo achou que sucumbiria à tórrida vontade de degustar o sabor adocicado daqueles petiscos engordurados…

Sucumbindo ou não, o mensageiro foi levado por um ímpeto de loucura, e cometeu o desatino de abrir a lata. O que sucedeu a isso, não poderia ser mais estranho: talvez recriminando-se pela decisão, abriu inadvertidamente a porta do carro de praça que o levava pelas artérias da cidade, e, sem dar tempo para maiores observações, saiu correndo pelas ruas agitadas de Curitiba, sem olhar para os lados, tampouco perceber que corria sobre os trilhos de um bonde.

O impacto, seguido pelo inevitável atropelamento, seria manchete do Commercio e de tantos outros jornais, se não fosse por um detalhe capital: tudo não passava de um desenho. Uma destas conjecturas sobre as quais, Camundo, e alguns senhores, temiam tornar-se realidade cedo ou tarde…

Na manhã especialmente chuvosa e pálida em que nossa história começa, no entanto, o menino analisava o caso com uma ruga na testa, pois, segundo parecia, não existia razão para impedir alguém disposto a desertar com a própria vida.

– Acha que podemos impedir um suicídio, Sr. Hans? – murmurou ele, enquanto observava o desenho.

– Ora, não deve se deixar levar pelo o que vê – sorriu o velho, enquanto fitava o menino com seus olhinhos azuis, aquosos. Há um ano, vinha lhe dando aulas de Pictomancia, uma arte de adivinhação, que, se, hoje, é pouco conhecida, naquele tempo, ainda mais. – Afinal, nada do que foi desenhado aconteceu de fato, não é mesmo?

Camundo concordou.

– Sim. Mesmo porque… – E neste ponto, espremeu os olhos castanhos, – os desenhos não insistiriam em mostrá-lo por tantas vezes…

– É o que penso, meu menino – concordou o velho. – Acha que poderia refazer o desenho, digamos, por outra perspectiva?

O menino estalou os dedos, como quem se prepara para uma partida de gamão, e suspirou:

– Venho ficando cada vez melhor nisso, senhor, – disse ele, resignado.

E debruçou-se mais uma vez para o papel em branco.

Aqui, forço-me a dizer que Camundo não era um simples desenhista. Não desenhava como você ou qualquer outro, e seus desenhos, como saberão adiante, eram capazes de alterar eventos futuros, fazendo valer a vontade singular de impedir acidentes e outras temeridades. Coisa que os consulentes do Ateliê Eisenbahn não tinham domínio algum. Seus desenhos, ao contrário dos deles, sempre apontavam infortúnios, tragédias, e crimes… O que ia muito além, do que a Pictomancia Geral.

Ainda que a habilidade fosse reconhecida por acadêmicos ou estudiosos qualificados, não há livro científico que trate do assunto, ou bula que indique os sintomas. Seja como for (e também porque certas coisas tinham certo pendor para o mistério), os desenhos que o menino fazia ACONTECIAM. Tal como o projeto de uma casa no papel é certeza de existir pelas mãos de um mestre de obras…

Era assim.

E assim haveria de ser sempre.

Os dois, menino e velho, eram frequentemente vistos à mesa da pequena alcova no subsolo da casa comercial, à Rua XV, número 29. E naquela amanhã, especialmente chuvosa, dedicavam-se em resolver o problema do mensageiro postal, cuja inclinação ao suicídio era uma constante nas previsões…

Havia outros tantos desenhos presos em linhas de barbante, como roupas em um varal, mostrando o mesmo sujeito. Lá estava o ilustre desconhecido, ora saindo de casa, uma daquelas pequenas residências geminadas de algum bairro operário de S. Paulo; e ora no embarque da Estação da Luz, cuja arquitetura inglesa corria o papel com elegância inconfundível. Em ambos desenhos, porém, podia-se perceber que estava à trabalho, pois usava um malote de pano que levava à tiracolo.

Além da mala, trazia consigo uma caixa de lata, que às vezes vinha com a inscrição Neugebauer em letras adornadas.

A verdade é que, fosse aquele ponto importante ou não, sempre estava presente nos desenhos. Como no último, em que o pobre infeliz saltava do carro de praça e lançava-se para debaixo de um bonde… Lá estava ela, mais uma vez, aberta, despejando bombons no estrépito da escapada.

Ao notar isso, Camundo iluminou-se.

Seria possível que a razão para aquela sandice estivesse relacionada à caixa de bombons? Ora, parecia fazer todo o sentido.

Empunhou o lápis, e concentrou os esforços em desenhar.

O papel branco foi tomado por uma profusão de sombras que se derramaram pela superfície porosa como um filme de cinematógrafo. Era assim que acontecia. Primeiro uma visão. Depois uma certeza… Camundo identificou a caixa, igual a de antes, aberta, e logo em seguida, a névoa negra que formava o sujeito saltando para fora do carro.

Quando a visão se dissipou, o menino voltou-se para o velho com os olhos profundamente acesos, como quem acaba de despertar.

– É a caixa, Sr. Hans!

E, em seguida, tocou o papel com a ponta do lápis.

No local exato onde a caixa estava, riscou rapidamente um quadrado, e, em vez de fazê-la aberta, fê-la com a tampa fechada.

Foi então que algo curioso aconteceu. O papel voltou a se borrar de novas sombras, correndo vertiginosamente pelo espaço vazio, recriando a cena.

Lá estava o homem. A mesma jaqueta, chapéu tricórnio e sapatos, mas nada de correrias ou atitudes insanas. Desta vez, caminhava serenamente por uma alameda cercada por buchinhos. Este caminho sinuoso levava à uma propriedade, cuja fachada principal, em cantaria, projetava-se em um corpo semicircular. Esta fachada era coroada por uma cúpula ventilada por janelas circulares, encimadas por telhas de ardósia. À altura da escadaria, um gradil em forma de varanda guardava a portada que levava ao vestíbulo.

Tudo levava a crer que a nova visão colocava o pobre homem a são e salvo, embora lhe fosse curioso que…

O menino sobressaltou.

– O que viu, meu menino? – Indagou Hans, afoito.

– Minha própria casa! – Revelou ele.

– O que foi que disse?

– Ora, é a minha casa, Sr. Hans! O mensageiro está a caminho do palacete!

– O que fez para tão inusitada visão o colocasse a caminho dali…?

Camundo contou sobre desenhar a caixa de bombons fechada, e o que aquilo provocara por conseguinte. Ao término da explanação, Hans levantou-se da mesa, e passou a andar em círculos com as mãos para trás.

– A sua intervenção alterou o curso dos acontecimentos, meu menino… Consegue captar algum detalhe, o mínimo que seja, que revele o tempo desta previsão? – Indagou ansiosamente.

Camundo voltou-se para o papel em branco, exceto pela caixa de bombons, e notou a sombra de alguém ajoelhado no jardim lateral, bem atrás da figura rechonchuda do Sr. Fonseca.

– É o jardineiro. – Murmurou ele. – Está cuidando das bouganvilles há uma semana. Mas por conta da chuva, não é visto há dias. Meu pai parece não estar muito satisfeito.

Hans estacou.

– Muito bem. Embora insubstancial, é um começo – e depois, voltando a se sentar, especulou: – quando o jardineiro voltar, acredita que o Sr. Duarte tome a decisão de dispensá-lo?

– Acredito que sim.

– Então, é provável que tudo aconteça ao cabo deste dia. O dia em que o jardineiro voltar.

Camundo suspirou. Voltou-se para o papel, e, ainda sob o efeito daquela torpe visão, completou o restante do desenho…

Alguns dias se passaram, até o acontecimento consumar-se exatamente como o previsto. O menino estava em casa, em seu quarto, debruçado sobre a escrivaninha, onde se viam os desenhos do Sr. Fonseca, lado a lado, como uma sequência de eventos que o levavam ali.

Já parecia acostumado com a vida no Palacete. Embora vivesse naquela casa há apenas dois anos, a impressão que se tinha era que os doze anos vividos em um asilo não passavam de lembranças antigas, guardadas em um baú velho e esquecido. Quando o Sr. Duarte reconhecera a sua paternidade, saibam, passou a desfrutar de regalias que ele nunca provara antes. Uma cama só para si, criados que lhe trouxessem mate e bijus! De todas as mudanças, entretanto, apenas uma, trazia do asilo. As janelas fechadas. Camundo padecia de uma alergia que o impedia de banhar-se de sol. E se você conhecesse alguém que sofresse de um mal como este, saberia rapidamente se tratar de fotossensibilidade…

Hans Eisenbahn também resolvera acompanhar o menino naquela manhã. Fazia um dia chuvoso como aquele que, dias atrás, conjecturaram o acontecimento daquele dia. E Elano Duarte, que o vira entrar na propriedade, enquanto saía, partira tão cedo a fim de inspecionar seus ervais, que sequer o cumprimentou. Era já um costume, vestir o paletó, e o chapéu borsalino e sair acompanhado por sua assistente, Cindina Lopez, nos primeiros instantes da manhã. Embora não aprovasse a visita do velho pictomante, não objetara coisa alguma, dada a pressa em sair. Era natural que o pai do menino não compactuasse com os desenhos, embora os admitisse à contragosto, uma vez que os considerasse inevitáveis.

O velho Hans vigiava o pátio da propriedade pela nesga da cortina, permitindo entrar, ainda que baça, a luz da manhã. Um sol tímido do início de junho rasgava as nuvens escuras, e a impressão que se tinha era que o dia manter-se-ia silencioso e sombrio por todo o tempo. O aposento, antes um boudoir, criava sombras entre a cama e o guarda-roupas, atribuindo uma atmosfera de crescente apreensão.

Sob as trevas da ansiedade, o menino finalmente indagou:

– Algum sinal do mensageiro?

– …

Diante do inesperado silêncio do velho, o menino cobriu-se com um capuz, arriscando espiar por cima dos ombros do outro. Lá embaixo, na alameda, surgia a figura pesada do Sr. Fonseca, tal e qual o desenho lhe mostrara há alguns dias. Quando passou pelo jardineiro, fez um aceno com a cabeça, e então consultou o endereço inscrito num envelope pardo e retangular. Estacou por alguns instantes, e ao cabo de alguns segundos, os quais reservara à beleza do palacete, voltou a subir o caminho de buchinhos até a porta da casa.

Camundo foi varrido por uma onda de curiosidade, e antes que Hans pudesse lhe dizer coisa alguma, disparou pela casa, descendo o lanço de escadas até o vestíbulo, onde a criada Marta corria para atender a campainha.

A porta foi aberta, revelando o velho conhecido dos desenhos. O arrebate daquele encontro por pouco não provocou no menino o desejo de saudá-lo. Em vez disso limitou-se a observar o forasteiro enquanto fazia uma ligeira mesura à criada, que ruborizada, tratava de retirar o casaco e o chapéu do visitante.

– Bom dia, senhora, – anunciou ele, numa voz grave e polida, e Camundo percebeu que trazia o malote pela alça, onde se via a caixa de bombons. – É aqui a residência do Sr. Camundo Duarte?

A menção daquele nome fez o menino perder por instantes a consciência… tamanha a surpresa que se abatera sobre ele. Ameaçou revelar-se, mas foi interrompido pela voz plácida e firme de Hans Eisenbahn, que atravessava o pavimento principal até o vestíbulo.

– A quem devo a honra?

– É o Sr. Camundo Duarte? – Indagou o sujeito ocultando o envelope na mão robusta.

– Não, mas respondendo a sua pergunta anterior, “sim”.

– Oh, então, vai muito bem – disse o mensageiro, dirigindo-se ao velho, enquanto passava pelo menino. – Estou a mando de Procópio Daguerre, da Ordem dos Pictomantes do Brasil.

A surpresa demonstrada por Camundo não foi maior do que aquela que Hans revelou ao arregalar os olhos azuis, esticando as pregas do rosto.

– Há muito que não ouço o nome do velho Procópio – balbuciou ele, dispensando a criada, enquanto pedia para o sujeito acompanhá-lo à sala de estar.

Camundo fez o mesmo, e os três, muito solenes, adentraram a sala de estar. Sentaram-se à lareira, cercados por mobília francesa, ostentando a nobreza imposta pelo olhar obtuso do avô de Camundo, o Barão do Mate, ali, pintado a óleo, no topo da escada.

Quando certo silêncio tomou o ambiente, sendo possível ouvir apenas os estalidos da lenha queimando na lareira, o mensageiro resolveu entregar o envelope amassado, desta vez, conferindo àquela inesperada reunião uma atmosfera ainda mais perturbadora.

Hans sobressaltou.

– É um convite – murmurou ele.

O mensageiro hesitou.

– O senhor conhece o conteúdo desta carta? – indagou ele.

– Digamos que sim – murmurou o velho, e depois voltando-se para Camundo, – receio dizer, meu senhor, que deva entregá-la à pessoa certa.

A carantonha suada e robusta do Sr. Fonseca virou-se de chofre para o outro.

– Mas um menino!

– Por favor, entregue a ele.

O lacre de cera trazia a figura de um lápis com asas negras. O menino rompeu-o com cuidado, e retirou o papel dobrado duas vezes. Como estava começando nos mistérios da alfabetização, pediu para que Hans lesse a mensagem.

O que o velho leu foi o seguinte:

“Ilmo. Sr. Camundo Duarte,

É com inestimado prazer que solicitamos vossa presença no Vigésimo Nono Congresso de Pictomancia das Nações Americanas, a ser realizado no dia 17 de julho, às 14h00, no endereço em anexo.

Trata-se de um teste em curso, e acredito que seja de extrema importância que vossa senhoria não decline do convite.

Respeitosamente,

Procópio Daguerre.

São Paulo, 1 de junho de 1924.”

Camundo emudeceu. Um congresso de Pictomancia? Um teste em curso? O que tudo aquilo significava afinal? Temendo revelar o entusiasmo, e talvez porque pudesse sugerir que houvessem cometido algum engano, apenas murmurou:

– Mas isso é realmente curioso!

Hans relia a carta, com muita veemência, enquanto buscava no fundo do envólucro um bilhete que vinha junto à carta, provavelmente o endereço.

– Trata-se de um importante evento, meu menino – explicou ele, hesitante, – ainda que pareça admirável que o tenham notado tão rapidamente…

Camundo não deu importância ao comentário. Sentiu-se ligeiramente importante. Se pudesse congelaria aquele instante em que a menção à sua ínfima existência se afirmava como a prova de que a fama de seus desenhos pudessem, ao menos uma vez, correr o mundo. Foi então que se deu conta de que não estava a sós com Hans.

Sentado na poltrona de Elano, cujos pés lembravam as patas de um leão, o mensageiro se reconfortava, satisfeito pelo cumprimento da missão. Enquanto os dois o observavam, revirava a bolsa de lona, retirando a lata de bombons.

Quando supôs que, de alguma forma, seriam aquelas iguarias a recompensa pelo cumprimento da ordem, não pensou duas vezes em devorar ao menos um.

– Não a abri por todo o trajeto, saibam os senhores – disse ele, aflito. – Adoro bombons, mas por recomendações médicas, bem, por recomendações do Dr. Arruda, deixei de fazê-lo…

Um forte odor de chocolate e licor emanou com a abertura da lata, sucedendo a um ligeiro estampido. A mão gorducha do Sr. Fonseca meteu-se no interior da lata, e, então, de súbito, foi repelida. O homem soltou um grito, que despertou ecos pela sala.

Assustado, Camundo pôs-se de pé num salto, seguido de Hans, que depositou a carta sobre o banco.

– Mein Gott! O que houve, homem?

Sem conseguir dizer palavra, o mensageiro sacudiu a mão, tentando com a outra segurar o pulso. Estava ainda mais vermelha, e, entre os dedos, via-se uma criatura diminuta. Parecia um verme, ou algo que se assemelhasse a tal coisa, mas, ao contrário dos vermes, brilhava como se estivesse metido numa couraça metálica. Subia rapidamente pelo braço, em movimentos de contração e descontração, como fazem as minhocas.

A lata foi atirada ao chão e Camundo deu com uma centena destes vermes correndo pelo soalho, em meio aos bombons.

– Que maçada! – Gritou ele.

E passou a pisoteá-los.

Quando notou que não daria conta de tantos, pulou para cima da poltrona. Hans fez o mesmo, no instante em que aquelas criaturinhas metálicas, refletindo as chamas da lareira, dirigiam-se inadvertidamente para o fogo.

O mensageiro já não estava ali, corria para um lado e para o outro, como um louco desvairado, o que seria engraçado se não fosse pela terrível expressão de horror em seu rosto. Quando voltou-se para Hans e Camundo, golfava sangue, os olhos lacrimejavam em um tom rubro, e já não era possível identificar o que dizia.

Tentou ainda atirar-se à lareira, mas tombou como uma árvore, estrebuchando, agonizando, até finalmente a vida esvair-se definitivamente do corpo rotundo e inerte.

O último suspiro do Sr. Arnaldo da Fonseca foi em direção a um pequeno bombom, que, ali caído, jamais seria devorado por ele.

1 Comentário

Uma opinião sobre “O Signo Oculto – Primeiro Capítulo

  1. Uau!!!! *__*
    QUE DEMAIS, Nanuka!
    Que vontade de continuar lendo! Adorei o primeiro capítulo da continuação de Camundo! Os vermes metálicos refletindo as chamas da lareira, a previsão do desenho, a mudança dos fatos com a tampa na caixa de bombons, a misteriosa ligação do convite com o Sr. Fonseca. Adorei!!! Maravilhoso!!!
    Imagine num livro e com suas fantásticas ilustrações! \o/
    Parabéns, amigo! O Signo Oculto será mais um sucesso!
    Não poderia de registrar meu entusiasmo aqui também. Um abração!

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